IV - Igreja do Serviço Solidário
“À luz da fé, percebemos que as condições de vida de milhões de abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e dor, contradizem o projeto de Deus e desafiam os cristãos a um compromisso ainda mais efetivo em prol da vida. Nos pobres e excluídos, a dignidade humana está profanada. É a consciência dessa realidade que tem feito da opção pelos pobres um dos traços marcantes da fisionomia da Igreja no continente latino-americano e caribenho. A opção pelos pobres está implícita na fé cristológica, naquele Deus que se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza. Por isso, somos incessantemente chamados a contemplar, nos rostos sofredores de nossos irmãos, o rosto de Cristo que nos convoca a servi-lo neles” (DGAEIB, 176).
Inspirados no grande ensinamento da Doutrina Social da Igreja, destacamos o trecho a seguir, extraída da carta encíclica Centesmius annus “De fato, hoje, muitos homens, talvez a maioria, não dispõem de instrumentos que consintam entrar, de modo efetivo e humanamente digno dentro de um sistema. (...) Não têm a possibilidade de adquirir os conhecimentos de base que permitam exprimir sua criatividade e desenvolver suas potencialidades, nem de penetrar na rede de conhecimentos e intercomunicações, que lhes consentiria ver apreciadas e utilizadas as suas qualidades. Em suma, eles, se não são propriamente explorados, vêem-se amplamente marginalizados, e o progresso econômico desenvolve-se, por assim dizer, por cima das suas cabeças, quando não se restringe ainda mais os espaços já estreitos das suas economias tradicionais de subsistência” (CA, 33).
“Uma comunidade insensível às necessidades dos irmãos e à luta para vencer a injustiça é um contra-testemunho e celebra indignamente a própria liturgia. Não é uma comunidade missionária, empenhada na promoção da vida em plenitude que Jesus veio trazer” (DGAEIB, 178). “A Igreja de Campinas tem-se destacado pela firmeza e zelo com que abraçou esta causa – a opção preferencial pelos pobres – em seus planos de pastoral. Conclamo a todos para seguirmos avante neste caminho [...]” (CP, 52).
Proposta 1 Opção preferencial pelos pobres
A evangélica opção preferencial pelos pobres é expressão da espiritualidade de comunhão e da prática da caridade. Ela não pode ficar no plano teórico e emotivo, nem estar somente sob responsabilidade das pastorais sociais. Uma Igreja servidora é capaz de transformar realidades, aliviar sofrimentos, fazer emergir o projeto de Jesus na sociedade.
Objetivos específicos:
1.1 - Reafirmar a opção evangélica e preferencial pelos pobres como compromisso de toda a Arquidiocese. Os pastores e as lideranças sejam os primeiros a dar esse exemplo;
1.2 - Valorizar uma pastoral social que seja organizada, descentralizada, e que favoreça um ambiente no qual todos vivam a opção pelos pobres e sofredores.
Proposta 2 Rede de Solidariedade
A ação solidária é um atributo de todos os cristãos. Desse modo, somos chamados a reavivar nosso compromisso sócio-transformador, mostrando a dimensão profética e solidária da Igreja na realidade em que vivemos.
Objetivos específicos:
2.1 - Organizar e articular, nos espaços de formação e no trabalho pastoral, as ações que já são realizadas nas várias frentes da Ação Social na Arquidiocese;
2.2 - Firmar parcerias com a sociedade civil que viabilizem atendimento às situações de exclusão;
2.3 - Valorizar os espaços físicos que estão subutilizados (salas, salões de comunidades, centros comunitários) para a promoção de iniciativas de inserção social;
2.4 - Assegurar a inclusão de pessoas com deficiência e necessidades especiais na comunidade eclesial; apoiar iniciativas de inclusão na sociedade.
Proposta 3 Pastoral da Saúde: expressão da misericórdia de Deus
A Pastoral da Saúde, a exemplo do Mestre, existe “para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (cf. Jo 10,10). É sua missão evangelizar com renovado ardor o mundo da saúde, à luz da opção preferencial pelos pobres e enfermos. Numa sociedade preocupada com o ter e o poder, onde a saúde é vista como mercadoria e as pessoas adoecidas como um peso para o Estado, a Pastoral da Saúde se torna a voz sensibilizadora e denunciadora da exclusão e da marginalização do doente. Ela defende a saúde como um direito fundamental da pessoa, sem distinção. Para que a Pastoral da Saúde seja um trabalho organizado e fiel ao Evangelho da Vida, ela deve ser regida por diretrizes em consonância com a pastoral orgânica da Igreja.
Objetivos específicos:
3.1 - Valorizar o trabalho da Pastoral da Saúde e capacitar novos agentes, especialmente no ambiente hospitalar;
3.2 - Reestruturar e dinamizar as capelanias dos hospitais;
3.3 - Manter um diálogo harmonioso com as equipes de administração nos hospitais;
3.4 - Articular um trabalho com outras denominações religiosas que prestam serviço pastoral nos hospitais.
Proposta 4 Pastoral da Educação: presença profética da Igreja
A presença da Igreja no ambiente escolar revela sua dimensão profética e contribui para uma formação humana e social, fazendo ecoar os valores cristãos e desenvolvendo a consciência crítica em favor da vida.
Objetivos específicos:
4.1 - Articular uma Rede de Educadores;
4.2 - Assegurar a presença cristã nas escolas públicas e privadas;
4.3 - Fortalecer o diálogo com as escolas e universidades católicas presentes na Arquidiocese;
4.4 - Incentivar o trabalho conjunto e de colaboração com a PUC-Campinas.
Proposta 5 Pastoral Carcerária: presença de Jesus Libertador
A presença pastoral junto aos presídios contribui para dar às penalidades um caráter curativo e corretivo, visando à reintegração dos encarcerados ao meio social. No mesmo Espírito, a ação da Pastoral Carcerária deve contemplar a busca pela garantia dos direitos daqueles que estão sob a custódia do sistema prisional.
Objetivos específicos:
5.1 - Dar consistência estrutural à Pastoral Carcerária, garantindo os recursos necessários para a realização desse trabalho;
5.2 - Elaborar um projeto que contemple os encarcerados, suas famílias e funcionários dos presídios;
5.3 - Formar novos agentes de pastoral carcerária, motivando pessoas que se disponham a esse serviço;
5.4 - Fortalecer a ação junto aos presídios, articulando o credenciamento dos presbíteros, diáconos e agentes, para garantir o acesso;
5.5 - Organizar momentos de celebração no ambiente prisional.
Proposta 6 Consciência Ecológica: sinal de amor pela Criação
Vivemos um modelo de desenvolvimento econômico capitalista-consumista, que privilegia o mercado financeiro e prioriza o agro-negócio. A isso se soma a agressão à natureza, à terra e às águas tratadas como mercadoria negociável, disputada pelas grandes potências. A situação presente é grave: o aquecimento global, o esgotamento dos recursos naturais e a exploração predatória da natureza por grupos ávidos de benefícios próprios.
Objetivos específicos:
6.1 - Educar para a preservação da ecologia;
6.2 - Promover ações articuladas para evitar a destruição da natureza, tanto no meio urbano quanto no rural;
6.3 - Articular iniciativas para uso solidário, consciente e contra a privatização da água, patrimônio da humanidade. |