7ș Plano de Pastoral - Arquidiocese de Campinas
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7º Plano Pastoral

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III - Igreja que se renova

III - Igreja que se Renova

“A Igreja é comunhão no amor. Esta é sua essência e o sinal através do qual é chamada a ser reconhecida como seguidora de Cristo e servidora da humanidade. O novo mandamento é o que une os discípulos entre si, reconhecendo-se como irmãos e irmãs, obedientes ao mesmo Mestre, membros unidos à mesma Cabeça e, por isso, chamados a cuidarem uns dos outros (1Cor 13; Cl 3,12-14)” (DA 161). “A diversidade de carismas, ministérios e serviços abre o horizonte para o exercício cotidiano da comunhão. Cada batizado é portador de dons que deve desenvolver em unidade e complementaridade com os dons dos outros, a fim de formar o único Corpo de Cristo, entregue para a vida do mundo” (DA 162). “No povo de Deus, ‘a comunhão e a missão estão profundamente unidas entre si... A comunhão é missionária e a missão é para a comunhão’. Nas Igrejas particulares (dioceses), todos os membros do povo de Deus, segundo suas vocações específicas, somos convocados à santidade na comunhão e na missão” (DA 163).

A conversão pastoral de nossas comunidades exige que se vá além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária. Desse modo, seguindo o mandato evangélico-missionário: ide por toda a Terra e fazei todos os povos discípulos meus (cf.28,16-20) reafirmamos o compromisso de sairmos de nós mesmos e das estruturas antigas que nos deixam estagnados diante dos “sinais dos tempos” que nos interpelam a cada dia. É necessário renovar todas as estruturas eclesiais em vista do discipulado e da missionariedade. Nenhum segmento deve se isentar de entrar decididamente, com todas suas forças, nos processos constantes de renovação missionária e de abandonar as ultrapassadas estruturas que já não favoreçam a transmissão da fé.

O Documento de Aparecida trata a paróquia como um espaço importante da comunhão eclesial, mas reconhece que há “estruturas ultrapassadas, que não favorecem a transmissão da fé e devem ser abandonadas, em vista da renovação missionária” (DA 365). Como forma de renovação da paróquia, o referido documento sugere alguns passos interessantes, como a “setorização das paróquias em unidades menores, com equipes de animação, comunidades de famílias” e leigos preparados para atender à necessidade de evangelização e servir àqueles que vivem situações aflitivas, onde quer que estejam. A paróquia descentraliza-se, tornando-se uma rede de comunidades (Cf. n. 372).

Recordamos que estamos numa época em que se relativiza o princípio “territorial”. Devemos lembrar que o projeto “comunidade cristã” não se define em primeiro lugar pelo território, mas pela fé e pela graça absoluta de Deus que nos convoca. O fundamento da comunhão eclesial é o ato de fé. E este não se liga a lugares, mas a pessoas.

As comunidades não são abstratas, elas se situam no tempo e na história e testemunham a alegria do ser cristão, o compromisso da adesão ao projeto de Jesus Cristo e o esforço de transformar a realidade em que vivemos como o fermento que atua no meio da massa. O que as caracteriza é a fidelidade ao ensinamento dos Apóstolos, a oração, a partilha do pão e dos bens... “e entre eles não havia necessitados” (cf.At. 2,42-47).

Na história, podemos perceber os diversos modos de ser Igreja: desde o princípio das primeiras comunidades (Comunidades domésticas), às comunidades de vizinhança (paróquias), às pequenas comunidades de hoje (ressalta-se, aqui, a experiência da Igreja na América Latina e Caribe das CEBs) e, mais atualmente, às comunidades de vida e às comunidades virtuais. O importante é que a “comunidade cristã” nunca está pronta e acabada. Ela é um projeto que cada geração deve trabalhar na fidelidade ao Evangelho e ao Espírito, no espaço humano de cada Igreja particular, de cada paróquia, de cada comunidade, por menor que seja.

 

Proposta 1
Igreja como Rede de Comunidades

A Igreja-comunhão se constrói como rede de comunidades, onde haja uma integração entre todos, formando um corpo articulado. Para acontecer a renovação da Igreja será necessário renovar a mentalidade do clero e dos agentes de pastoral, bem como rever as estruturas pastorais, a composição das instâncias de representação eclesial e a distribuição territorial do presbitério.

Objetivos específicos:

1.1 - Promover o processo de setorização das paróquias, como ferramenta fundamental para o processo de renovação;

1.2 - Incentivar a criação de novas Comunidades Eclesiais de Base organizadas em rede;

1.3 - Acolher e motivar a nucleação de novos grupos que garantam a inserção da Igreja em tantos ambientes desafiadores na realidade urbana: favelas, cortiços, condomínios fechados, conjuntos habitacionais, o mundo virtual, entre outros.

1.4 - Rever e adequar as estruturas e dinâmicas pastorais, bem como a composição das Áreas Pastorais, Comissões, Coordenações, Conselhos, entre outros.

 

Proposta 2
Igreja toda ministerial

Uma Igreja ministerial é servidora. Todo serviço na Igreja deve expressar um encontro entre pessoas consigo mesmas, com os irmãos e com Deus, tendo como premissa fundamental a presença de Deus na Comunidade. Somos chamados a dar passos significativos na direção de superar o binômio Clero-Leigo, evoluindo para uma relação Comunidade-Ministério e configurando uma Igreja servidora e organizada.

Objetivos específicos:

2.1 - Despertar para a descoberta da vocação específica de cada um;

2.2 - Criar uma cultura de respeito, valorização e incentivo aos ministérios leigos, especialmente os da Palavra, da Coordenação e da Catequese;

2.3 - Reconhecer a ação profética dos religiosos(as) inseridos em nossa Arquidiocese;

2.4 - Valorizar a presença das mulheres nos seus diferentes carismas e serviços.


Proposta 3
Igreja de comunhão e partilha

A colegialidade é uma expressão de comunhão. Para um bom trabalho de evangelização num mundo marcado pelo individualismo, é preciso tornar visível a atitude de acolhida fraterna entre todos, especialmente na relação dos padres entre si e com o povo. Uma Igreja que se renova deve tornar-se responsável por ela mesma.

Objetivos específicos:

3.1 - Reforçar a atuação dos conselhos como instrumentos de comunhão e participação, renovando a consciência de colegialidade no presbitério e em toda a comunidade;

3.2 - Promover a partilha dos bens e recursos humanos e materiais entre as comunidades e paróquias;

3.3 - Incentivar a prática concreta do Dízimo e buscar outras alternativas.


Proposta 4
Formação e espiritualidade dos discípulos-missionários

A formação e a espiritualidade caminham de mãos dadas. A formação, numa perspectiva missionária, deve embasar a atuação do cristão na comunidade e na sociedade, despertando para a valorização da vida, a dimensão humana – em vista da convivência fraterna – a cidadania, a inserção política, o diálogo ecumênico e inter-religioso e a consciência ecológica. E é fundamental a busca por uma espiritualidade encarnada-vivencial, capaz de relacionar o que se vive com o que se celebra.

Objetivos específicos:

4.1 - Assegurar uma formação integral, bíblica, teológico-pastoral e missionária;

4.2 - Rever o itinerário catequético como forma de dar suporte a esse processo, assumindo a iniciação à vida cristã como princípio norteador para a Catequese;

4.3 - Investir na formação dos ministros – especialmente os da Coordenação, da Palavra e da Catequese – e dos agentes da acolhida;

4.4 - Articular e fortalecer o Projeto Arquidiocesano de Formação, nas suas instâncias: Paróquias, Foranias e Arquidiocese;

4.5 - Resgatar a consciência da celebração como encontro e momento de formação e partilha de vida, com atenção à preparação da Liturgia e das homilias.


Proposta 5
Evangelização pela comunicação

“A revolução tecnológica e os processos de globalização formatam o mundo atual como grande cultura midiática. Isso implica uma capacidade para reconhecer as novas linguagens, que podem favorecer maior humanização global. Essas novas linguagens configuram um elemento articulador das mudanças na sociedade” (DA, 484). A partir dessa nova realidade, somos impelidos a garantir a clareza e o dinamismo no processo de comunicação eclesial, bem como rever a política de integração e diálogo com a sociedade civil, reforçando a presença pública da Igreja.

Objetivos específicos:

5.1 - Unificar as estruturas de comunicação que já existem;

5.2 - Promover o uso profissional e consciente dos meios de comunicação;

5.3 - Criar uma rede capaz de unificar e dinamizar a transmissão de dados entre as diversas instâncias da Arquidiocese;

5.4 - Dinamizar o uso da internet para a difusão de conteúdo formativo;

5.5 - Valorizar a Pastoral da Comunicação (Pascom).
 

Proposta 6
Metodologia de planejamento participativo
e
cultura de avaliação dos processos

O planejamento pastoral participativo é um serviço à missão evangelizadora. É feito a partir da realidade, da reflexão da Palavra de Deus e dos ensinamentos da Igreja. Promove o pensar e o trabalhar juntos; crescer na espiritualidade, valorizando a diversidade de dons e serviços. Contribui para superar a improvisação e a rotina, motivando o surgimento de novas lideranças e um maior dinamismo pastoral. O planejamento participativo é, antes de tudo, um processo de pensar a ação e de tomada de decisão, que quer envolver o maior número possível de pessoas e grupos, onde todos são convidados a opinarem e decidirem.

Somos uma Igreja em contínuo processo de conversão. Por isso há uma necessidade constante de avaliar para crescer. A avaliação antes, durante e depois da ação pastoral ajuda a verificar se os objetivos foram alcançados. Contribui para o aprimoramento dos processos, aprofundando o que deu certo, aproveitando as descobertas feitas durante o trabalho e identificando erros para que não sejam repetidos. Somos chamados a vivenciar uma mudança radical de mentalidade, que nos leve a abandonar o amadorismo e a improvisação das nossas atividades. Essa nova concepção pastoral nos ajudará a sair de uma cultura de eventos para uma cultura de processos.

Objetivos específicos:

6.1 - Fortalecer a metodologia do planejamento participativo em todos os processos pastorais;

6.2 - Garantir momentos e espaços de formação para a metodologia;

6.3 - Valorizar as estruturas de participação em toda a Arquidiocese;

6.4 - Dar uma atenção especial aos momentos de avaliação.


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