7ș Plano de Pastoral - Arquidiocese de Campinas
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7º Plano Pastoral

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II - Igreja que acolhe

II - Igreja que Acolhe

Ouvindo o clamor de Aparecida, “necessitamos sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo” (DA 548). Essa convocação nos chama a atenção para mudarmos a concepção de acolhimento.  Nossa busca deve ser por uma Igreja acolhedora, em todos os âmbitos – e não somente com a implantação de uma pastoral da acolhida. Acolher é uma atitude que abre as portas para as desafiadoras realidades que nos cercam, e nos impele a abraçar a todos – os que estão integrados à vida da Igreja e os afastados do seio da comunidade. Essa atitude deve permear toda a ação pastoral.

O Sínodo sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, realizado em outubro de 2008, nos ensina que a prioridade da Igreja é nutrir-se da Palavra de Deus. Ela está em primeiro lugar e, por ela, se torna eficaz a evangelização. Na mensagem final dos Padres Sinodais são apresentadas quatro imagens que nos orientam na relação com a palavra de Deus. Com elas aprendemos a vivenciar uma Igreja que acolhe:

1º) A voz da Palavra é a revelação. É a voz de Deus que ressoa nas origens da criação, quebrando o silêncio do nada e dando origem às maravilhas do universo. É uma VOZ que penetra na história, ferida pelo pecado humano e revirada pela dor e pela morte. É uma VOZ que desce às páginas das Sagradas Escrituras, que agora lemos à luz do Espírito Santo.

2º) O rosto da Palavra é Jesus Cristo. "A Palavra se fez carne" (Jo 1,14). É Jesus Cristo, o Filho de Deus eterno e infinito, mas também homem mortal. Ele vive a existência penosa da humanidade até a morte, mas ressurge glorioso e vive para sempre. É ele que torna perfeito nosso encontro com a Palavra de Deus. Ele nos faz entender que as Escrituras são "carne", palavras humanas que guardam no seu interior a luz da verdade.

3º) A casa da Palavra é a Igreja. A Igreja não se sustenta sem as quatro colunas, segundo o texto de Atos dos Apóstolos 2,42:

a) O ENSINAMENTO, que consiste na leitura e compreensão da Bíblia pelo anúncio feito a todos na catequese, na homilia, por meio de uma proclamação que envolva a mente e o coração.

b) A FRAÇÃO DO PÃO, Eucaristia, fonte e vértice da vida e da missão da Igreja. Todos são convidados a nutrir-se na liturgia à mesa da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo.

c) A ORAÇÃO, com "salmos, hinos e cânticos espirituais" (Cl 3,l6): é a Liturgia das Horas, oração da Igreja destinada a ritmar os dias e os tempos; é a Leitura Orante das Sagradas Escrituras, capaz de conduzir ao encontro com Cristo, Palavra de Deus vivente.

d) A COMUNHÃO FRATERNA, pois, para ser verdadeiro cristão, não basta ser como "aqueles que escutam a Palavra de Deus", mas é preciso ser como quem "a coloca em prática" no amor operoso (Lc 8,21).

4º) O caminho da Palavra é a missão. "Ide e fazei discípulos meus todos os povos, ensinando-os a observar o que vos mandei... O que ouvis ao ouvido pregai sobre os terraços" (Mt 28,19;10,20). Este é o CAMINHO pelo qual caminha a Palavra de Deus. Ela deve correr pelas estradas do mundo, inclusive as estradas da comunicação, da informática, televisiva e virtual. As Sagradas Escrituras devem entrar nas famílias, escolas e ambientes culturais, porque por séculos, ela tem sido referência da arte, literatura, música, pensamento e da própria ética. Sua riqueza é um estandarte de beleza para a fé e a própria cultura.
Lembramos que, na estrada do mundo, caminham os irmãos de outras Igrejas e de outras religiões, que conosco constroem um mundo de paz e de luz.

 

Proposta 1
A Palavra de Deus gera uma comunidade acolhedora

"Guardai a Bíblia em vossas casas, lede, aprofundai e compreendei suas páginas, transformai-a em prece e testemunho de vida, ouvi-a com amor e fé na liturgia. Criai silêncio para escutar, conservai o silêncio depois de ouvi-Ia para que ela continue a habitar, a viver e a falar convosco. Fazei-a ressoar no início do dia para que Deus tenha a primeira palavra, e deixai-a ecoar em vós ao cair da tarde para que a última palavra seja de Deus" (SB, mensagem final).

Os discípulos ouviram a Palavra de Deus e, na sua força, saíram em missão, testemunharam e acolheram a todos. A partir do encontro com Cristo, a Palavra Encarnada, devemos ir além das regras e dos preceitos.

Objetivo específico:

1.1 - Intensificar a espiritualidade bílbico-litúrgica, promovendo cursos de aprofundamento da Sagrada Escritura; a Leitura Orante e Vivencial da Bíblia; o Oficio Divino das Comunidades; os grupos de vivência; e o espírito e a prática das Comunidades Eclesiais de Base, em vista da missão.


Proposta 2
Duas realidades inseparáveis: ser Igreja e acolher

Com uma atitude missionária devemos abrir não só as portas da Igreja templo, mas também as portas do coração de cada membro da comunidade. O lançar-se para acolher evoca a dimensão missionária da Igreja peregrina. Esta Igreja deve ser rosto do Cristo Bom Pastor, que acolhe de forma fraterna e carinhosa. Somos chamados a ser uma Igreja menos disciplinadora e mais amorosa. “(...) Fixamos nosso olhar nos rostos dos novos excluídos: os migrantes, as vítimas da violência, os deslocados e refugiados, as vítimas do tráfico de pessoas e seqüestros, os desaparecidos, os enfermos de HIV e de enfermidades endêmicas, os toxico-dependentes, idosos, meninos e meninas que são vítimas da prostituição, pornografia e violência ou do trabalho infantil, mulheres maltratadas, vítimas da violência, da exclusão e do tráfico para a exploração sexual, pessoas com capacidades diferentes, grandes grupos de desempregados (as), os excluídos pelo analfabetismo tecnológico, as pessoas que vivem na rua das grandes cidades, os indígenas e afro-americanos, agricultores sem terra e os mineiros...” (DA, 402).

Objetivos específicos:

2.1 - Reorganizar o aconselhamento pastoral, a Escuta Cristã e a preparação aos sacramentos para revelar esse rosto acolhedor da Igreja;

2.2 - Retomar a prática da visitação e o método das missões populares;

2.3 - Dar atenção às famílias nas diferentes situações em que se apresentam, destacando-se realidade dos casais em segunda união;
 
2.4 - Divulgar a existência e a ação do Tribunal Eclesiástico;

2.5 - Promover a acolhida aos idosos, enfermos e pobres.

 

Proposta 3
Acompanhamento: uma expressão de acolhida

O acompanhamento deve dar suporte para que todos tenham a oportunidade de crescer na vivência comunitária, assumindo as exigências do serviço, do diálogo, do anúncio e do testemunho.
 
Objetivos específicos:

3.1 - Valorizar e integrar os talentos de tantos irmãos e irmãs profissionais de diversas áreas que podem estar a serviço, inclusive no campo da política;

3.2 - Rever, organizar e assumir as diretrizes para a preparação aos sacramentos (diretório dos sacramentos);
 
3.3 - Implantar uma pastoral pré e pós-matrimonial;

3.4 - Acompanhar as famílias dos catequizandos.


Proposta 4
Acolher e evangelizar o jovem

A comunidade deve assumir com um renovado ardor a “opção afetiva e efetiva de toda a Igreja pela juventude na busca conjunta de propostas concretas” (Doc. Evangelização da Juventude, CNBB). Isto implica em conhecer a realidade do jovem hoje, para poder acolhê-lo e valorizá-lo, aprendendo com suas experiências, favorecendo a ele um encontro pessoal com Jesus Cristo e assegurando-lhe a oportunidade de encontrar seu espaço na vida da Igreja e de ser uma presença cristã na sociedade.

Objetivos específicos:

4.1 - Capacitar, de forma permanente, lideranças para o trabalho com o jovem;

4.2 - Promover um estudo da realidade do jovem e seus desafios;

4.3 - Fomentar um processo de formação humano-cristã que contribua para o crescimento do jovem, cuja mensagem seja adequada aos diversos ambientes e formas de inserção;

4.4 - Fortalecer e dinamizar a Área Pastoral Juventude, integrando as diversas iniciativas de evangelização;

4.5 - Conscientizar as comunidades, para que criem novos espaços de expressão dos jovens;

4.6 - Aderir ao projeto “A juventude quer viver”, da CNBB, que tem por objetivo criar uma cultura de valorização da vida, combatendo a violência e a criminalização da juventude.


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