7ș Plano de Pastoral - Arquidiocese de Campinas
<< ANTERIOR 7ș Plano de Pastoral - Arquidiocese de Campinas

7º Plano Pastoral

>>

I - Uma leitura do processo que vivemos

I - Uma leitura do processo que vivemos

Breve histórico

A Evangelização é a finalidade da Igreja: Entendemos por evangelização a totalidade de ações da Igreja em função de Anunciar, Celebrar e Viver o Evangelho de Jesus Cristo. E, como a evangelização é um todo, é preciso que seja realizada de forma orgânica, isto é, como uma Pastoral planejada, programada e realizada mediante uma espiritualidade de Comunhão e Participação, como nos ensinam o Concílio Vaticano II, e os documentos produzidos pelo episcopado da América Latina e do Brasil.

O Planejamento Pastoral Participativo foi o caminho escolhido para nos orientar por entendermos que uma ação bem planejada é fruto da previsão e do ordenamento do processo de vivência numa comunidade cristã e do testemunho que seus agentes são chamados a dar.

Neste sentido fomos, todos, convocados para este mutirão que nos faz refletir e tem propiciado crescimento no Testemunho de Comunhão.

O Processo de Planejamento Participativo tornou-se importante instrumento para a realização de nossa missão evangelizadora inculturada, com a presença articulada das Exigências: do Serviço, Diálogo, Anúncio e Testemunho de Comunhão, operacionalizadas nos três âmbitos da Evangelização: Pessoa – Comunidade e Sociedade.

Atenta e preocupada com o Processo de Elaboração do 7o Plano de Pastoral Orgânica, a Coordenação Colegiada de Pastoral trabalhou nos Encontros Arquidiocesanos de Formação. Em 2006, teve como foco o Ministério da Coordenação, em 2007, a Comunhão e a Participação.

Em 2008, fruto dos Encontros anteriores, brotou a proposta de se trabalhar com Blocos Temáticos – seis marcos referenciais que contribuíram para a reflexão e elaboração do Processo de Planejamento numa importante etapa de sua realização. Neste sentido, um conjunto de ações foi proposto para todo o ano. No primeiro momento aconteceu, então, o Estudo dos Blocos Temáticos mencionados acima.

Com a colaboração de uma equipe de assessores, os temas Realidade, Metodologia, Eclesiologia, Ação Pastoral, Liturgia e Espiritualidade Encarnada foram estudados em três Encontros realizados no período de abril a junho de 2009. Destes Encontros participaram pessoas convidadas de todas as instâncias de organização da Arquidiocese de Campinas, as Coordenações Colegiadas Arquidiocesanas das Foranias e das Áreas Pastorais, integrantes dos Blocos, com a intenção de que a reflexão produzida fosse a partir da vivência real de nossa Igreja.

Os subsídios, especialmente elaborados para este momento, foram partilhados com toda a Igreja de Campinas: Comunidades, Paróquias e Equipes de Coordenação. Ainda nesta fase, aconteceram as reuniões com as Equipes Paroquiais. Tendo em vista o Processo de Planejamento Participativo e a importância do envolvimento de todos, estas equipes foram convocadas a participar do processo em colaboração com as Equipes de Coordenação dos Conselhos de Pastoral Paroquial e os representantes das Paróquias nas Coordenações Colegiadas das Foranias.

Dando continuidade ao Processo de Elaboração do 7o. PPO, o mês de agosto foi dedicado à realização das Assembléias nas Foranias. Nas Assembléias foram reunidas as contribuições das Paróquias e com base nelas foi realizado o levantamento dos Desafios e Prioridades e a escolha dos Projetos Comuns, assumidos como trabalho conjunto em nível das Foranias, como expressão da unidade da Igreja.

No mês de setembro, foram realizadas as assembleias das Regiões, com o material elaborado pelas Foranias. Desses encontros foram conhecidos os Desafios e Prioridades das Regiões. Uma vez elencados estes desafios e prioridades, o Texto Síntese voltou para as Foranias, Paróquias e Comunidades para conhecimento e continuidade do trabalho de Planejamento, em âmbito Paroquial e Forâneo. No mês de setembro também aconteceu a Assembleia das Áreas Pastorais, oportunidade em que foi recolhida a contribuição, levando em conta a especificidade dos Organismos. Ainda em 2009, foram realizados encontros de Formação sobre Planejamento Pastoral com a participação das Equipes Paroquiais e Coordenações Colegiadas das Foranias.

No dia 07 de novembro, a Assembleia Arquidiocesana definiu as Prioridades e Metas a partir das contribuições de todas as instâncias, estabelecendo, à luz do Objetivo Geral, os objetivos específicos que orientarão a continuidade do processo de Planejamento Pastoral com a elaboração dos diferentes Programas e Projetos em 2010.

É importante destacar que todo este processo foi iluminado pela Carta Pastoral de Dom Bruno Gamberini, que chama a atenção para a importância do Planejamento Pastoral e assume o Objetivo Geral da Igreja do Brasil como o grande farol para a Igreja de Campinas.

 

Assembleia de 2009: Conclusões

Em Assembleia, refletimos, como grande comunidade de fé, as linhas de ação pastoral da nossa Igreja. Foi um passo determinante no longo caminho percorrido por todos os Organismos da Arquidiocese. As contribuições das Comunidades, Paróquias, Foranias, Comissões, Regiões e Áreas Pastorais foram sintetizadas e traduzidas em um olhar sobre a realidade (pés no chão), uma iluminação da Palavra de Deus e das Diretrizes da Igreja (olhos no horizonte) e nos desafios a serem superados (mãos na massa).

 

Pés no chão

A reflexão a seguir expressa esses olhar das nossas bases sobre a realidade para que, em vista do trabalho nelas desenvolvido, apontemos os caminhos que nos levem à nossa missão: Evangelizar.

Individualismo: essa palavra que tanto nos incomoda é um grande obstáculo que ainda buscamos ultrapassar. Ele é fruto de uma cultura que tem alterado as relações do ser humano consigo mesmo, em casa, no ambiente de trabalho, na escola e, como não poderia deixar de ser, também na comunidade eclesial.

O isolamento da pessoa em si mesma é fruto, entre outros fatores, da virtualização da sociedade. Temos a impressão de que podemos dar conta de todas as nossas necessidades em frente à tela do computador. Se não soubermos lidar com as novas tecnologias, corremos o risco de cair numa armadilha recheada pelo consumismo, pela falta de consciência social e ecológica, deixando-nos dominar pelo materialismo.

O universo da comunicação de massa mudou nosso olhar sobre a vida em família, a sexualidade, a orientação sexual e a ética das relações nos campos político e econômico. Esse olhar globalizado e acelerado nos deixa a impressão de que estamos sempre atrasados. Ficamos reféns do tempo. Essa sensação de sufoco faz-nos, muitas vezes, cegos diante das novas formas de pobreza e exclusão: os idosos, doentes, negros, pessoas em situação de rua, especialmente crianças e adolescentes, presidiários, dependentes químicos, pessoas com deficiência, os excluídos da era digital...

Os novos tempos apresentam avanços em muitos níveis, especialmente na tecnologia, setor de destaque em nossa região metropolitana. Entretanto, a exclusão persiste. Em nossas cidades os condomínios de luxo convivem lado a lado com bolsões de pobreza, revelando um cenário de extrema desigualdade social e grande concentração de renda. Nas regiões mais carentes, fica clara a falta de políticas públicas que atendam às demandas básicas de educação, saúde, moradia, trabalho, acesso à cultura e ao lazer. Essa sociedade tão desigual traz consequências nada agradáveis: violência dentro e fora de casa, insegurança, drogas, alcoolismo, falta de oportunidades de trabalho, famílias desunidas, juventude sem perspectivas e refém da cultura de morte que se propaga pela mídia. As desigualdades estão evidentes. Muitos de nós estamos paralisados diante das iniciativas de mobilização e participação política e social que se fazem presentes, ainda que em menor escala.

Dentro de casa, os tempos da chamada “pós-modernidade” trazem uma realidade incômoda e desafiadora: nossas famílias não se encontram mais; em casa, cada um trabalha e estuda em um horário diferente; na prática, são vários mundos que, por coincidência, habitam a mesma morada; o computador e a TV superam a relação entre as pessoas que dividem o mesmo teto. O resultado: falta de diálogo e a chamada desagregação familiar.

A configuração da família também mudou. Hoje, a realidade dos casais em segunda união e as casas que se organizam sem a figura do pai ou da mãe são cada vez mais frequentes. Nesse cenário tão plural, as novas manifestações nos campos da cultura e da religiosidade vão ganhando espaço. Temos várias expressões culturais e espirituais dentro da mesma casa e, muitas vezes, dentro da mesma pessoa.

Na comunidade, esse cenário coloca em xeque valores fundamentais da nossa vivência: acolhimento, participação, diálogo, integração, unidade. Temos visto muitas comunidades fragmentadas, fechadas a novas experiências e a novas pessoas. As posturas autoritárias têm-se manifestado tanto entre o clero quanto entre o laicato. A falta de planejamento e de avaliação das atividades são desafios fortes que precisamos superar. Isolamento e improvisação atrapalham a articulação e a união dos nossos esforços.

Nosso universo virtual e altamente dinâmico nos deixa com a sensação de que o que vivemos não está refletido no que celebramos. O espanto diante da mudança de época que vivemos tem motivado um movimento de retorno a uma tradição que busca mais a individualização da fé do que a vivência de uma espiritualidade de comunhão e participação. Precisamos dar mais atenção à dimensão ministerial, à consciência missionária, ao diálogo com outras igrejas e expressões religiosas e ao desejo de se fazer próximo do outro.

Nossa Igreja ainda parece voltada para si mesma. Nossa realidade urbana entra em choque com uma mentalidade e uma estrutura ainda rurais. O apego ao devocional e o excesso de eventos sufocam, em muitos casos, a prática da vida eclesial. Essa configuração nos aponta para a necessidade de uma formação mais consistente e continuada, capaz de amadurecer a fé, propiciar um encontro pessoal com Jesus Cristo e integrar a proposta do Evangelho às diversas dimensões da vida humana: pessoa, comunidade e sociedade. Entretanto, o mundo cada vez mais competitivo nas relações de trabalho e estudo tem impedido a participação frequente de muitos de nossos agentes nas atividades propostas.

 

Olhos no horizonte

Os olhos da fé e os ouvidos do coração nos indicam pontos de luz e motivação para uma renovada ação pastoral que responda aos novos desafios que a realidade nos coloca. A religiosidade popular, a vivência do testemunho batismal, a organização de muitas comunidades em grupos de vivencia e de Leitura Orante da Bíblia, a experiência profética das Comunidades Eclesiais de Base e das Novas Comunidades e o entusiasmo dos Movimentos Eclesiais nos provocam um novo ardor missionário para cumprirmos o mandato de anunciar o Reino de Jesus Cristo, expresso no Objetivo Geral da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e assumido pela Arquidiocese de Campinas:

“Evangelizar
A partir do encontro com Jesus Cristo,
como discípulos missionários,
à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres,
promovendo a dignidade da pessoa,
renovando a comunidade,
participando da construção de uma sociedade
justa e solidária,
para que todos tenham vida e a tenham em abundância (Jo 10,10)”

A Palavra de Deus e as Diretrizes da Igreja foram as luzes que nos fizeram chegar a esse objetivo. A vivência do discipulado e da missionariedade nos remete ao Documento de Aparecida como horizonte de ação em toda a América Latina. “A conversão pastoral de nossas comunidades exige que se vá além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária...” (DA 370). “Crescem os esforços de renovação pastoral nas paróquias, favorecendo o encontro com Cristo vivo, mediante diversos métodos de nova evangelização que se transformam em comunidade de comunidades evangelizadas e missionárias...” (DA 99,e).   

A prática da oração pessoal, por meio da abertura à ação do Espírito e da escuta atenta da Palavra, suscita a descoberta de novas vocações, desperta a paixão por Jesus Cristo e anima os corações para realizar o sonho do Crucificado-Ressuscitado: a vida em abundância para todos. A vivência comunitária do Mistério Pascal – nas suas diversas expressões litúrgicas e celebrativas – sustenta a caminhada, congrega os cristãos na experiência da fé e alimenta a esperança de “um novo céu e uma nova terra” (Is 66, 22a).

Alimentado pelo Pão da Palavra e pelo Pão da Eucaristia (cf. CP 44-45), o cristão renova seu compromisso de ser discípulo e assume seu caráter missionário, em meio a uma sociedade marcada por tanta desigualdade. A evangélica opção preferencial pelos pobres renova a dimensão profética do anúncio e da denúncia das injustiças, ao mesmo tempo em que abre o coração para a solidariedade e a partilha. “Tudo o que tem relação com Cristo tem relação com os pobres, e tudo o que está relacionado com os pobres clama por Jesus Cristo” (DA 393).

Com o coração aberto, “a Igreja latino-americana é chamada a ser sacramento de amor, solidariedade e justiça entre nossos povos” (DA 396). Nossa Arquidiocese quer assumir essa missão e, impelida pela necessidade de uma renovação de suas estruturas, almeja a construção de uma sociedade justa e solidária, com oportunidades e relações igualitárias para todos, livre de todo preconceito, em que haja pão, moradia, saúde e lazer para todos, fruto de governos honestos e solidários, na qual, enfim, a política, como serviço ao Bem Comum, se faça presente.

O projeto de Jesus é libertador. Uma Igreja toda ministerial surge como ponto forte de iluminação para a concretização do nosso objetivo. A vivência consciente e madura do ministério da palavra nos torna capazes de “anunciá-la como missionários que testemunham com a vida o que pregam” (Cf. CP, 23). A liturgia bem celebrada e vivenciada e a participação nos sacramentos vivificam a esperança e abrem os horizontes para uma atitude cotidiana mais coerente com a prática de Jesus. “A caridade jamais passará” (1 Cor 13,8), e o cristão é convocado a dar sua contribuição por meio das obras de misericórdia e da revigorada atuação das pastorais sociais.

Temos na mente e no coração as quatro exigências fundamentais da Evangelização, explicitadas pela CNBB e acolhidas em nossa prática pastoral:

- Serviço: A dimensão do lava-pés (Jo 13, 4-17) – “O servo não é maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que quem o enviou” (Jo 13,16). A advertência de Jesus aos discípulos tem razão de ser: a tentação de fazer da pertença religiosa uma carreira de sucesso permeia a história da Igreja desde seu princípio até os dias de hoje. Enquanto o discípulo não vencer seu egoísmo, seu desejo de realização narcisista, não será capaz de servir. Pode até fazer parte da Igreja, mas o fará de coração corrompido e, por isso, não agradará a Deus;

- Diálogo: A dimensão do Cristo que acolhe (Jo 4, 4-15) – O Diálogo do Reino não se estabelece visando a pessoa do discípulo. Continuar a missão do Mestre requer a consciência de que o discípulo não é o centro da missão, mas sim uma mediação daquele que o enviou. Esse despojamento é crucial para um diálogo capaz de levar à abertura de coração daqueles com quem vamos conversar;

- Anúncio: A dimensão do Cristo que envia (Mt 28,16-20) – Ser escolhido não é privilégio, mas compromisso. Para anunciar o Reino, é preciso primeiro vivê-lo. Não de maneira isolada, mas “dois a dois”, em comunidade de fé. Quem anuncia sem os critérios evangélicos corre o risco de perder o senso das pessoas, tornar-se um ativista, um mero executivo. A perda do senso das pessoas leva ao isolamento, ao fechamento nos limites da própria experiência. Um discípulo isolado corre o risco de criar comunidades e grupos tão isolados quanto ele;

- Testemunho: Ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5, 13-16) – A espiritualidade do apostolado consiste em confiar em Deus e desconfiar de si mesmo. Desconfiança de si mesmo é sinal da humildade virtuosa, capaz de reconhecer a dignidade da vida humana em si mesmo e nos outros. Essa humildade é filha do amor e irmã da verdade. Amor, humildade e verdade são, por sua vez, os pilares do testemunho cristão;

 

Mãos na Massa

Igreja que Acolhe
Igreja que se Renova
Igreja do Serviço Solidário

Os três eixos assumidos pela nossa Igreja de Campinas para o 7º Plano de Pastoral Orgânica articulam-se entre si. Não estão separados como se cada um alimentasse um setor da vida eclesial. Eles se interligam, abastecendo uns aos outros como uma tríplice força vital de toda a Igreja. É nesse espírito que, em Assembleia, firmamos o compromisso de viver, organizar e fazer acontecer esses três eixos em todos os níveis, articulando a ação evangelizadora da Igreja Arquidiocesana de Campinas.

O material resultante do processo que percorremos na Elaboração do 7º PPO foi sintetizado em 14 proposições, que foram refletidas e assumidas em Assembleia. Em plenário nós assumimos mais duas proposições.

Essas orientações se transformam agora em Programas de Evangelização que se traduzirão em Ações Gerais (para toda a Arquidiocese) e Ações Específicas (para os diversos níveis de organização de nossa Igreja: Regiões, Foranias, Paróquias, Comunidades, Áreas Pastorais e Organismo).

Desse modo, apresentamos a seguir as contribuições que foram assumidas e enriquecidas pela Assembleia Arquidiocesana de 07 de novembro de 2009.


Arquidiocese de Campinas - Assessoria de Comunicação
Rua Irmã Serafina, 88 - Bosque - Campinas - SP - 13026-066
Permitida a reprodução desde que citada a fonte